Missão liderada pelo SINDVEL ao Vietnã busca ampliar competitividade e autonomia tecnológica do Vale da Eletrônica

Com apoio do SEBRAE-MG, o Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (SINDVEL) selecionou um grupo de especialistas em microeletrônica, semicondutores, memórias e chips dedicados para integrar uma missão técnica ao Vietnã entre os dias 30 de julho e 14 de agosto. Idealizada pelo presidente do sindicato, Roberto de Souza Pinto, a iniciativa ocorre em meio à reorganização global da indústria de tecnologia e à descentralização da cadeia de semicondutores, com foco na busca por alternativas para ampliar a competitividade e fortalecer a autonomia tecnológica das empresas do Vale da Eletrônica.

A missão pretende abrir caminhos para o desenvolvimento de chips dedicados e personalizados para aplicações específicas das empresas do Vale, reduzindo a dependência de componentes genéricos importados e ampliando o valor agregado dos produtos desenvolvidos em Santa Rita do Sapucaí.

“O objetivo não é competir globalmente na fabricação massiva de semicondutores, mas desenvolver tecnologia própria para os produtos do Vale da Eletrônica e buscar no Vietnã um parceiro industrial capaz de viabilizar essa produção com custos mais competitivos, inclusive abrindo caminho para que empresas vietnamitas implantem, futuramente, um polo de microeletrônica, chips e memórias em Santa Rita do Sapucaí”, explica Roberto de Souza Pinto.

Segundo ele, essa parceria pode permitir avanços importantes em miniaturização de equipamentos, diferenciação tecnológica e redução de custos produtivos, refletindo também na redução de preços no mercado. Com isso, as soluções desenvolvidas pelas empresas locais passam a incorporar características exclusivas, fortalecendo posicionamento e agregando maior valor tecnológico.

A expectativa é que pelo menos cerca de 50 empresas do Vale da Eletrônica já tenham porte e escala suficientes para avançar nesse modelo.

A missão ocorre em meio ao movimento global conhecido como “China+1”, no qual empresas e países buscam descentralizar cadeias produtivas e reduzir riscos geopolíticos associados à forte concentração industrial na China. Nesse cenário, o Vietnã vem se consolidando como um dos principais hubs asiáticos de montagem, encapsulamento e testes de semicondutores, atraindo investimentos de gigantes globais como a Intel, a Foxconn, entre outras multinacionais.

Na avaliação do presidente do sindicato, os atuais conflitos internacionais ampliam ainda mais a preocupação mundial em relação à concentração das cadeias produtivas globais, especialmente nos setores de tecnologia, semicondutores, chips e memórias. Segundo ele, uma eventual escalada militar envolvendo grandes potências pode provocar impactos econômicos ainda mais severos do que os registrados durante a pandemia da Covid-19.

“A pandemia provocou a paralisação temporária da produção. Uma guerra em regiões estratégicas pode significar a destruição física dessa estrutura produtiva. Se isso acontecer, teremos que reconstruir toda a cadeia novamente para só então voltar a operar. Isso geraria um colapso global, porque voltaríamos à estaca zero”, alerta Roberto de Souza Pinto.

Na visão do dirigente do SINDVEL, acompanhar essa reorganização global tornou-se uma necessidade estratégica para o setor eletrônico brasileiro. “Ter alternativas além da China e desenvolver maior autonomia tecnológica é essencial para garantir sustentabilidade, segurança produtiva e competitividade para nossas empresas”, destaca.

Roberto ressalta ainda que a iniciativa de buscar maior independência produtiva e alternativas tecnológicas para as empresas do Vale da Eletrônica só se tornou viável graças ao apoio do SEBRAE-MG à missão internacional conduzida pelo Sindvel.

Além da liderança do SEBRAE, a missão conta ainda com apoio da Câmara de Comércio Vietnã-Brasil e da Embaixada do Brasil no Vietnã, com agenda voltada para visitas técnicas, feiras tecnológicas do setor, reuniões empresariais e mapeamento de oportunidades de cooperação industrial e tecnológica.

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