Monitoramento de desastres naturais pode mitigar impactos da crise climática em cidades mineiras

Entre as soluções vencedoras do Prêmio Assembleia de Incentivo à Inovação – Crise Climática, idealizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), duas iniciativas apostam em sistemas de monitoramento e uso de inteligência artificial para prevenção de desastres naturais.

Os projetos da Quasar Space e da Ashton Tecnologia estão sendo implementados, respectivamente, nas cidades de Pedro Leopoldo (Central) e Itajubá (Sul), onde foram demonstrados e testados como parte do Programa de Aceleração do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).

A Quasar Space demonstrou, em Pedro Leopoldo, no último dia 14 de março, uma solução de monitoramento contínuo para áreas sujeitas a deslizamentos e inundações.
O sistema desenvolvido utiliza mais de 10 redes de satélites públicos e privados e é capaz de obter mapeamentos completos, atualizados a cada 30 minutos, permitindo a rápida tomada de decisões pelo poder público nas ocorrências do clima.
“A cada 10 metros, você tem uma coleta de informações para verificar a suscetibilidade daquele ponto exato e o rankeamento das áreas críticas. Ou seja, eu consigo rankear quais as áreas prioritárias para que haja uma ação emergencial ou obras de reparação”, explicou Thais Cardoso Franco, cofundadora e CEO da Quasar Space.


O sistema será implantado na central de videomonitoramento da Prefeitura de Pedro Leopoldo e foi detalhado pela equipe da startup a autoridades locais. O município é constantemente impactado por alagamentos em períodos chuvosos, com as últimas ocorrências tendo sido registradas em fevereiro deste ano.
O coordenador da Defesa Civil de Pedro Leopoldo, Antônio Lira Junior, destaca que o sistema permite saber o grau de densidade do solo em determinado local, bem como o nível pluviométrico naquela área (quantidade de chuva por metro quadrado).
“A ferramenta te mostra se é uma área de risco ou não. E, com o monitoramento, você consegue antecipar um eventual futuro problema”, afirma Antônio Lira.

Inteligência artificial para prevenir inundações

Em Itajubá, a demonstração da Ashton Tecnologia Ltda como parte do programa de aceleração ocorreu no dia 19 de março. O trabalho da startup já está em implementação naquele município desde agosto do ano passado.
O projeto possui 25 estações fazendo o monitoramento em tempo real do Rio Sapucaí, principal curso de água da região, além do acompanhamento de ribeirões e águas da chuva. A ideia é que os dados sejam utilizados para ensinar um sistema de inteligência artificial a prever cheias e possíveis inundações, diminuindo riscos e possíveis prejuízos.


A diretora da Ashton Tecnologia Vitória Baratella explica que esse banco de dados forma uma rede neural capaz de treinar o sistema para previsões hidrológicas. “Assim, antes do nível do rio chegar a um transbordamento ou a um nível crítico, podemos avisar a Defesa Civil qual é a previsão para a próxima hora ou para as próximas duas, três horas”, afirma.
As enchentes fazem parte da história de Itajubá, que fica na planície de inundação do Rio Sapucaí. No ano 2000, quando ocorreu a maior cheia registrada no município, mais de 70% da cidade foi tomada pelas águas. Além dos prejuízos financeiros, com a destruição de prédios e a paralisação das atividades econômicas, quatro pessoas morreram e milhares ficaram desabrigadas.
Para o coordenador da Defesa Civil de Itajubá, Adilson José, a situação teria sido diferente caso já existisse um sistema de como o da Ashton Tecnologia em funcionamento. “A partir do momento em que o cidadão estivesse acompanhando o nível desses rios, ele conseguiria retirar seu patrimônio de dentro das residências a tempo”, disse.
Os dados fornecidos pelo sistema possibilitam ainda, além de ações de socorro mais céleres, o planejamento e execução de planos de contingência, como, por exemplo, a definição de rotas de fuga e locais de abrigo para a população.

Prova de Conceito
As simulações realizadas pela Quasar Space e pela Ashton Tecnologia nos dois municípios integram a chamada Prova de Conceito (ou PoC, do inglês Proof of Concept), prevista no Programa de Aceleração do BH-TEC. Ela consiste em um teste da viabilidade prática das soluções apresentadas, apontando suas suscetibilidades e necessidades de aprimoramento.
O analista de Sustentabilidade e Inovação do BH-TEC, Lucas Marinho, afirma que o programa de aceleração tem o objetivo de auxiliar os empreendedores a maturarem seus projetos e comercializarem suas ideias.
Para esse fim, são oferecidas mentorias com especialistas em temas como financiamento e produção de tecnologia e ainda uma rodada de negócios, momento em que as startups poderão se reunir com potenciais clientes.

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